Pleonasmos viciosos não óbvios: 5 redundâncias que destroem a nota da sua redação
21/05/2026 08h37 – Atualizado há 15 horas

O domínio da clareza e da concisão textual é um dos critérios de avaliação mais rigorosos nas competências de microestrutura das grandes bancas examinadoras, como a FGV, o Cebraspe e o Enem. A análise estatística de milhares de redações oficiais aponta que muitos candidatos de alto rendimento perdem pontos preciosos não por erros ortográficos crassos, mas pelo uso inadvertido de redundâncias estilísticas. O emprego de pleonasmos viciosos disfarçados de erudição sinaliza prolixidade e falta de repertório vocabular, o que os corretores interpretam como uma falha na eficiência argumentativa do texto.
Para garantir uma vaga em concursos concorridos ou atingir a nota máxima nos vestibulares, o candidato precisa eliminar os excessos que inflam a redação sem acrescentar substância. As bancas avaliadoras utilizam critérios estritos de coesão e coerência para punir o “recheio” desnecessário, penalizando expressões que repetem ideias de forma implícita. Entender que a sofisticação na escrita formal está associada à precisão — e não ao rebuscamento vazio — funciona como um filtro seletivo que diferencia os textos nota máxima das produções medianas.
Abaixo, desmistificamos os mecanismos gramaticais que tornam essas expressões incorretas e apresentamos as 5 redundâncias não óbvias mais recorrentes em exames oficiais para você retificar imediatamente o seu planejamento de escrita.
A lógica da concisão: por que menos é mais na redação formal
Na gramática normativa, o pleonasmo pode ser classificado como uma figura de linguagem quando usado intencionalmente para conferir valor estético ou ênfase na literatura. No entanto, no texto dissertativo-argumentativo, a repetição de um mesmo conceito com palavras diferentes configura um vício de linguagem que compromete a fluidez da leitura.
Expressões óbvias como “subir para cima” ou “entrar para dentro” são facilmente detectadas pelos estudantes. O verdadeiro perigo mora nos pleonasmos sofisticados, aqueles que o candidato utiliza acreditando que está enriquecendo o vocabulário do parágrafo, mas que, na realidade, demonstram desconhecimento do significado real dos termos.
5 Expressões redundantes para eliminar do seu texto imediatamente
1. Elo de ligação
Muito utilizada em parágrafos de desenvolvimento para explicar conexões sociais ou propostas de intervenção integradas.
- A falha técnica: A palavra “elo” define, por si só, a corrente, a união ou o vínculo que une duas partes. Portanto, todo elo é, intrinsecamente, de ligação.
- Como corrigir: Utilize apenas as palavras elo, vínculo, conexão ou ligação.
2. Criar novos (ou criar nova)
Comum na introdução de propostas de intervenção e na apresentação de soluções para problemáticas públicas.
- A falha técnica: O verbo “criar” carrega o significado de dar existência a algo que não existia, produzir do nada ou instituir. É impossível criar algo que já seja velho ou preexistente.
- Como corrigir: Empregue apenas o verbo criar ou a estrutura desenvolver projetos.
3. Encarar de frente
Aparece frequentemente em teses que discutem a necessidade de o Estado ou a sociedade civil enfrentarem desafios complexos.
- A falha técnica: O ato de “encarar” provém etimologicamente de olhar cara a cara, de frente. Não há perspectiva anatômica ou física de encarar pelas costas ou de lado.
- Como corrigir: Substitua por enfrentar, encarar ou combater.
4. Panorama geral
Utilizada na contextualização inicial do tema, no primeiro parágrafo, para descrever o cenário de um problema na sociedade contemporânea.
- A falha técnica: O substantivo “panorama” refere-se a uma visão ampla, total ou abrangente de uma situação ou paisagem. Adicionar o adjetivo “geral” gera uma repetição de sentido desnecessária.
- Como corrigir: Use apenas as formas panorama ou visão geral.
5. Detalhes minuciosos
Recorrente em análises que pretendem demonstrar profundidade argumentativa ao examinar as causas de uma problemática.
- A falha técnica: Um “detalhe” é uma parte menor, uma particularidade ou um pormenor de um todo. Se é um detalhe, ele já possui uma natureza minuciosa e específica.
- Como corrigir: Prefira utilizar os termos detalhes, pormenores ou aspectos minuciosos.
Guia de aplicação prática na microestrutura do texto
Evite penalizações na competência de modalidade escrita observando as substituições recomendadas pelos critérios técnicos de correção das bancas:
| Use corretamente (✅) | Evite o erro (❌) | Justificativa técnica da banca |
| O governo precisa criar mecanismos de fiscalização. | O governo precisa criar novos mecanismos de fiscalização. | O verbo “criar” já pressupõe a novidade do elemento gerado. |
| As redes sociais são um elo entre os cidadãos. | As redes sociais são um elo de ligação entre os cidadãos. | “Elo” já significa ligação, tornando a estrutura redundante. |
| É urgente enfrentar o problema da segurança. | É urgente encarar de frente o problema da segurança. | Encarar é, por definição, um ato direcionado para a frente. |
| A análise apresenta um panorama da educação. | A análise apresenta um panorama geral da educação. | Panorama conceitua uma visão ampla, o que dispensa o termo “geral”. |
Perguntas frequentes sobre pleonasmos viciosos (FAQ)
O uso de um pleonasmo vicioso pode zerar a minha redação?
Não, o uso de pleonasmos viciosos não zera o texto, mas penaliza o candidato nos critérios de correção voltados à coesão, à coerência e ao domínio da modalidade escrita padrão. A repetição desnecessária drena pontos preciosos na avaliação de microestrutura das bancas mais exigentes.
Qual a diferença entre pleonasmo literário e pleonasmo vicioso?
O pleonasmo literário é uma figura de linguagem intencional usada para reforçar uma ideia expressiva em textos artísticos ou poéticos. Já o pleonasmo vicioso é um erro gramatical decorrente do desconhecimento do significado real das palavras, gerando prolixidade textual inadmissível em redações dissertativas.
Por que expressões como “há anos atrás” são consideradas incorretas?
Porque o verbo “haver”, indicando tempo decorrido, já remete ao passado, tornando o advérbio “atrás” uma redundância prejudicial à concisão. Para adequar o trecho à norma-padrão, o candidato deve optar por escrever apenas “há anos” ou “anos atrás”.
Como identificar e cortar essas redundâncias durante o rascunho?
A estratégia mais eficiente é questionar o significado isolado de cada palavra durante a revisão do rascunho. Se o sentido de um adjetivo ou modificador já estiver contido na definição do substantivo ou verbo principal, elimine o termo sobressalente sem hesitação.
Conclusão
A eliminação de vícios de linguagem não é alcançada de maneira passiva através da leitura esporádica de manuais normativos. A segurança necessária para identificar redundâncias sutis e manter a concisão sob a pressão do tempo de prova é o resultado direto de um processo contínuo de treino prático. Escrever com regularidade, submetendo cada linha a um processo rigoroso de autoedição, permite que você reconheça os próprios vícios de escrita e limpe o texto antes do dia do exame oficial. Faça da produção textual o pilar central da sua rotina e garanta a precisão necessária para a sua aprovação.