Como usar o “que”: 5 funções ocultas do “que” relativo que confunde

Por Redação
23/05/2026 08h17 – Atualizado há 3 dias

O domínio das múltiplas funções da palavra “que” é um dos indicadores mais fiáveis de maturidade linguística na produção textual de alta performance. A análise estatística de milhares de redações oficiais de concursos públicos e vestibulares nacionais revela que os desvios associados a esse conectivo figuram entre os principais motivos de penalização na competência de microestrutura gramatical. O examinador avalia com rigor cirúrgico a capacidade do candidato de articular orações complexas sem comprometer a regência, a colocação pronominal e a harmonia sintática do parágrafo.

O grande desafio para quem busca a nota máxima não reside no uso do “que” como conjunção integrante simples, mas sim nas suas manifestações como pronome relativo em estruturas menos evidentes. Quando essa palavra assume funções sintáticas complexas (como objeto indireto ou complemento nominal oculto), ela dispara gatilhos de atração pronominal e exige um controle rígido do paralelismo. O desconhecimento dessas dinâmicas ocultas induz o redator a cometer erros de coesão que quebram a fluidez do argumento e sinalizam fragilidade no repertório gramatical.

Para garantir uma vantagem competitiva real em exames concorridos, o candidato precisa neutralizar esses ruídos sintáticos antes de transpor as ideias para a folha definitiva. Compreender a anatomia do “que” relativo atua como um filtro seletivo que valida a autoridade técnica do texto perante as bancas avaliadoras mais exigentes. A seguir, destrinchamos as 5 funções ocultas do pronome relativo que costumam desestruturar a próclise e o paralelismo em textos dissertativos.

As armadilhas da colocação pronominal diante do “que” atrator

Na gramática normativa, o pronome relativo é classificado como uma palavra atrativa de natureza absoluta. Isso significa que a presença do “que” relativo exige, obrigatoriamente, o posicionamento do pronome oblíquo átono antes do verbo, configurando a próclise.

O erro mais comum mapeado nos critérios estritos de correção das bancas ocorre quando o redator insere elementos intercalados entre o “que” e o verbo, acreditando erroneamente que a força de atração foi anulada. Independentemente da extensão da estrutura intercalada, o conectivo mantém sua propriedade atrativa, e a violação dessa regra resulta em erro de colocação pronominal.

5 Funções e estruturas do “que” relativo que destroem a sintaxe do texto

1. O “que” relativo como objeto indireto com preposição omitida

Ocorre quando o pronome relativo retoma um termo que exige uma preposição específica devido à regência do verbo da oração subordinada, mas o candidato esquece de registrar a preposição antes do “que”.

  • O erro de paralelismo: Essa omissão quebra o paralelismo sintático quando a oração é coordenada a outra que exibe a regência correta, gerando uma assimetria grave.
  • A dinâmica da próclise: Mesmo que a preposição correta (como “a”, “de” ou “em”) seja inserida antes do “que”, a palavra mantém seu caráter atrativo e exige a ocorrência da próclise.

2. O “que” com função de complemento nominal

Esta estrutura manifesta-se quando o pronome relativo atua como o alvo de um substantivo, adjetivo ou advérbio que integra a oração subordinada.

  • A armadilha: Por não estar diretamente ligado a um verbo, o redator costuma ignorar a necessidade da preposição antecedente, invalidando o nexo de subordinação.
  • O impacto no texto: Expressões como “os direitos a que os cidadãos têm acesso” exigem a preposição “a” porque quem tem acesso, tem acesso “a” algo. O “que” atrai o pronome e obriga o uso de formas proclíticas em caso de verbos acompanhados de átonos.

3. O “que” relativo antecedido por pronome demonstrativo (O que / A que)

Configura-se quando o pronome relativo vem precedido pelas formas “o”, “a”, “os”, “as”, que funcionam como pronomes demonstrativos equivalentes a “aquilo”, “aquele” ou “aquela”.

  • A confusão na próclise: O candidato foca na presença do artigo/pronome demonstrativo e posiciona o pronome oblíquo após o verbo (ênclise), desrespeitando a regra de que o “que” subsequente opera como elemento atrator primário.
  • A correção: A estrutura correta exige o desenho sintático: demonstrativo + pronome relativo + pronome oblíquo + verbo.

4. O “que” na função de sujeito em orações coordenadas (Quebra de paralelismo)

O erro se consolida no momento em que o candidato desenvolve uma sequência de orações coordenadas e altera a função sintática do “que” no meio do período sem repetir a estrutura correspondente.

  • A falha técnica: Se o primeiro “que” funciona como sujeito da primeira oração, o elemento coordenado subsequente deve manter a equivalência. Mudar a função para objeto direto sem a devida marcação rompe o paralelismo analítico.
  • Ação do atrator: Cada manifestação do “que” relativo nas orações coordenadas funciona como um centro autônomo de atração pronominal, demandando próclise em todas as ramificações.

5. O “que” relativo como adjunto adverbial de tempo ou lugar

Trata-se do caso em que o pronome substitui expressões que indicam a circunstância em que a ação verbal ocorre, equivalendo a “em que”, “no qual” ou “na qual”.

  • O equívoco comum: O redator utiliza o “que” seco, sem a preposição “em”, gerando um erro de regência crônico que os avaliadores penalizam severamente.
  • A atração formal: A inserção da preposição “em” antes do pronome relativo não anula seu poder magnético; os pronomes oblíquos devem permanecer posicionados antes do verbo.

Guia de aplicação prática na microestrutura do texto

Evite o desconto de frações preciosas na sua nota final observando as substituições recomendadas pelos critérios técnicos de avaliação:

Use corretamente (✅)Evite o erro (❌)Justificativa técnica da banca
Esta é a diretriz a que se referiram os técnicos.Esta é a diretriz que referiram-se os técnicos.O verbo “referir-se” exige a preposição “a” antes do “que”, e o pronome relativo exige a próclise.
O projeto que se aprovou e que se implementou gerou frutos.O projeto que se aprovou e implementou-se gerou frutos.A quebra de paralelismo na colocação pronominal de orações coordenadas configura erro de microestrutura.
Os recursos de que se necessita já foram liberados.Os recursos que se necessitam já foram liberados.O verbo “necessitar” exige a preposição “de” antes do “que” relativo com função de objeto indireto.
A época em que se promoveu o debate foi ideal.A época que promoveu-se o debate foi ideal.O adjunto adverbial de tempo exige a preposição “em” antecedendo o “que”, que por sua vez atrai o pronome.

Perguntas frequentes sobre o uso do “que” (FAQ)

O “que” conjunção integrante também atrai o pronome para antes do verbo?

Sim, a conjunção integrante possui o mesmo poder de atração pronominal que o pronome relativo. Ambas as classes gramaticais da palavra “que” funcionam como gatilhos absolutos de próclise na norma-padrão da língua portuguesa.

Como identificar se o “que” funciona como pronome relativo no rascunho?

O método definitivo consiste em substituir a palavra “que” por “o qual”, “a qual”, “os quais” ou “as quais”. Se a substituição mantiver o sentido original e a correção gramatical da frase, o termo é um pronome relativo.

A presença de uma preposição antes do “que” anula a obrigação da próclise?

Não, a inserção de preposições antes do pronome relativo não altera a sua natureza atrativa. Mesmo em estruturas preposicionadas, como “por que”, “de que” ou “com que”, a próclise continua sendo estritamente obrigatória.

O que acontece com a nota se eu errar o paralelismo usando o “que”?

O erro debilita diretamente a pontuação nos critérios de coesão textual e mecanismos gramaticais. As bancas examinadoras interpretam a quebra de paralelismo como uma falha estrutural de nível médio a grave, o que impede o texto de alcançar o nível máximo de correção.

Conclusão

A assimilação das engrenagens sintáticas que envolvem as funções ocultas do “que” não se consolida por meio da memorização passiva de nomenclaturas em manuais teóricos. A segurança necessária para aplicar a próclise obrigatória e sustentar o paralelismo sob a pressão cronológica do exame é o resultado direto de um processo contínuo de treino prático. Escrever com regularidade, forçando-se a revisar a função de cada conectivo empregado no rascunho, permite neutralizar os vícios de colocação pronominal antes da entrega da folha definitiva. Faça da produção de texto o eixo central da sua preparação e garanta a precisão linguística indispensável para a sua aprovação.