Crase antes de locuções conjuntivas: por que “à medida que” recebe acento grave
18/08/2026 23h06 – Atualizado há 3 horas

A dúvida sobre a crase em locuções conjuntivas costuma reaparecer justamente quando o texto exige maior formalidade. É comum que mesmo estudantes bem preparados hesitem diante de expressões como à medida que e à proporção que, recorrendo ao acento grave por memorização rápida e sem compreender a regra sintática subjacente. Ao analisarmos milhares de redações submetidas aos principais exames do país, notamos que a inadequação no uso desse acento não decorre da falta de estudo, mas do desconhecimento da estrutura gramatical dessas locuções.
Na norma-padrão da língua portuguesa, as locuções conjuntivas proporcionais formadas por palavras femininas exigem o uso do acento indicativo de crase. Compreender essa determinação exige observar a fusão da preposição com o artigo feminino que acompanha o substantivo nuclear da locução. Dominar esse mecanismo garante a precisão gramatical necessária para construir um texto coeso e alinhado aos critérios mais rigorosos das bancas examinadoras.
A seguir, você entenderá o fundamento sintático que exige a crase nessas estruturas, a diferença entre as expressões proporcionais e como evitar os erros mais comuns no momento da escrita.
O fundamento sintático das locuções conjuntivas femininas
A crase nada mais é do que a fusão da preposição a com o artigo definido feminino a (ou as). Quando analisamos locuções conjuntivas — estruturas formadas por duas ou mais palavras com valor de conjunção —, a obrigatoriedade do acento grave fixa-se no fato de que a base dessas expressões é constituída por um substantivo feminino determinado.
Nas locuções à medida que e à proporção que, os núcleos são os substantivos femininos medida e proporção. A regência exige a presença da preposição inicial, e a especificação da palavra feminina exige o artigo. O resultado dessa união é a ocorrência do acento grave obrigatório. Essa mesma regra aplica-se a outras locuções de base feminina, como locuções adjetivas, adverbiais e prepositivas.
Regra prática: Toda locução conjuntiva ou prepositiva formada por palavra base feminina recebe acento indicativo de crase.
A diferença fundamental entre “à medida que” e “na medida em que”
Um dos desvios mais frequentes identificados em diagnósticos textuais é a confusão entre a locução proporcional à medida que e a locução causal na medida em que. Misturar as duas estruturas, criando formas híbridas como “à medida em que” ou “na medida que”, configura erro grave de regência e inadequação vocabular.
- À medida que: Exprime ideia de proporção, concomitância ou simultaneidade. Equivale a à proporção que ou conforme.
- Na medida em que: Exprime ideia de causa, razão ou justificativa. Equivale a já que, visto que ou uma vez que.
Árvore de Decisão: Escolha da Locução
A frase exprime gradação ou alteração simultânea?
├── SIM ──> Use "à medida que" (proporção)
└── NÃO ──> A frase exprime justificativa ou causa?
└── SIM ──> Use "na medida em que" (causa)
Guia de aplicação prática no texto
Para garantir que a construção do seu texto mantenha a correção gramatical e o paralelismo sintático, observe a comparação entre as escolhas adequadas e as falhas mais comuns registradas em exames formais.
| Construção Incorreta (❌) | Construção Correta (✅) | Explicação Técnica |
| A tecnologia avança a medida que o tempo passa. | A tecnologia avança à medida que o tempo passa. | A locução conjuntiva proporcional feminina exige acento grave. |
| O debate esquentou a proporção que os dados surgiam. | O debate esquentou à proporção que os dados surgiam. | Proporção é substantivo feminino determinando a locução; a crase é obrigatória. |
| O projeto é viável à medida em que há recursos. | O projeto é viável na medida em que há recursos. | Para exprimir relação de causa (visto que), a forma correta é na medida em que. |
| As mudanças ocorrem a medida em que a sociedade exige. | As mudanças ocorrem à medida que a sociedade exige. | A forma híbrida “a medida em que” não existe na norma-padrão. |
Perguntas Frequentes (FAQ)
Por que “à medida que” tem crase, mas “à medida de” ou outras variações mudam?
A locução conjuntiva “à medida que” leva crase porque é uma expressão fixa de base feminina, formada pela preposição a juntamente com o artigo a que antecede o substantivo medida. Se a estrutura for alterada para uma locução prepositiva como “à medida de”, a regra da base feminina se mantém, exigindo o acento grave da mesma forma.
Existe algum caso em que “a medida que” é escrito sem crase?
Não existe hipótese gramatical em que a locução proporcional “à medida que” seja escrita sem o acento grave. A ausência da crase nessa estrutura configura erro de grafia e de regência segundo a norma-padrão da língua portuguesa.
Posso substituir “à proporção que” por “à medida que” em qualquer contexto?
Sim, as duas locuções são equivalentes e ambas indicam proporção e simultaneidade. Ambas são formadas por núcleos femininos (medida e proporção) e exigem o acento indicativo de crase de forma obrigatória.
Qual a diferença entre “à medida que” e “conforme”?
A principal diferença é a classe gramatical e a exigência de acento, embora o sentido de proporção seja similar. Enquanto à medida que é uma locução conjuntiva feminina (com crase), conforme é uma conjunção simples que não aceita preposição e, portanto, nunca recebe acento grave.
Aperfeiçoe sua escrita com o treino constante
A assimilação definitiva das regras gramaticais e das nuances de regência sintática não ocorre apenas com a leitura teórica, mas através do exercício contínuo de redação e revisão. Aplicar os conceitos de crase em estruturas complexas exige atenção ao ritmo do texto e às relações lógicas estabelecidas entre as orações.
Para consolidar o domínio da norma-padrão e garantir que desvios como esses não comprometam seu desempenho, mantenha uma rotina focada no treino prático de escrita. Quanto mais você escreve e analisa a estrutura das suas orações, mais natural se torna o emprego correto da crase e das concordâncias no seu texto.