Regência do verbo “lembrar”: como usar o pronome oblíquo e a preposição na norma culta

Por Redação
19/07/2026 09h09 – Atualizado há 5 dias

O domínio da regência verbal é um dos critérios mais rigorosos de avaliação na competência que analisa a modalidade escrita formal da língua portuguesa em exames oficiais. Entre os verbos que mais provocam desvios e perdas de pontos preciosos, o verbo “lembrar” (assim como seu sinônimo “esquecer”) destaca-se como uma verdadeira armadilha sintática. A nossa equipe editorial, após analisar milhares de produções textuais de alta performance, identificou que a confusão entre as estruturas pronominais e não pronominais deste verbo é uma das falhas mais recorrentes na microestrutura dos candidatos, impactando negativamente a nota de coesão e coerência.

O erro de regência com o verbo “lembrar” costuma ocorrer devido à tendência de misturar duas construções gramaticais distintas que a norma-padrão aceita, criando uma estrutura híbrida e incorreta. Na pressa do rascunho, o estudante frequentemente associa o pronome oblíquo sem a preposição exigida, ou vice-versa. Para garantir a nota máxima nas bancas examinadoras mais exigentes, é fundamental que o redator compreenda a correlação obrigatória entre a presença do pronome oblíquo reflexivo e a exigência da preposição “de”.

Compreender a dupla possibilidade de regência desse verbo não apenas blinda a sua redação contra penalizações bobas, mas também demonstra um repertório linguístico maduro e sofisticado. A seguir, detalhamos de forma prática e direta como estruturar as orações utilizando o verbo “lembrar” sem ferir as regras gramaticais cobradas nos editais.

As duas estruturas corretas do verbo “lembrar”

Para não errar a regência em seu texto, você precisa memorizar uma regra de ouro: ou o verbo é pronominal e preposicionado, ou ele não é pronominal e não é preposicionado. Não há meio-termo na norma culta.

1. Estrutura não pronominal (Sem pronome, sem preposição)

Quando o verbo “lembrar” é usado sem pronome oblíquo reflexivo (me, te, se, nos, vos), ele se comporta como um Verbo Transitivo Direto (VTD). Isso significa que ele exige um objeto direto, ou seja, um complemento sem a presença de preposição.

  • O candidato lembrou o conteúdo da aula durante a prova. (Sem pronome “se”, sem preposição “de”).
  • Nós lembramos os termos do acordo firmado ontem. (Sem pronome “nos”, sem preposição “de”).

2. Estrutura pronominal (Com pronome, com preposição)

Quando o verbo se apresenta acompanhado de um pronome oblíquo reflexivo (lembrar-se), ele se transforma em um Verbo Transitivo Indireto (VTI). Nesse caso, a presença da preposição “de” (ou suas contrações do, da, dos, das) torna-se obrigatória para introduzir o objeto indireto.

  • O candidato se lembrou do conteúdo da aula durante a prova. (Com pronome “se”, com preposição “do”).
  • Nós nos lembramos dos termos do acordo firmado ontem. (Com pronome “nos”, com preposição “dos”).

Guia de aplicação prática na microestrutura gramatical

Evite construções híbridas que misturam as duas regências. A tabela abaixo apresenta os desvios mais comuns encontrados em exames oficiais e as respectivas correções baseadas na norma-padrão.

✅ Construção correta (De acordo com a norma-padrão)❌ Construção incorreta (Desvio de regência verbal)
O governo federal lembrou as metas estabelecidas no plano.O governo federal lembrou-se as metas estabelecidas no plano.
O relator do projeto se lembrou de que o prazo expirava na segunda-feira.O relator do projeto lembrou de que o prazo expirava na segunda-feira.
Os cidadãos se lembram dos direitos assegurados pela Constituição.Os cidadãos lembram dos direitos assegurados pela Constituição.
A testemunha lembrou o ocorrido com riqueza de detalhes.A testemunha se lembrou o ocorrido com riqueza de detalhes.

Perguntas frequentes sobre a regência do verbo “lembrar”

O verbo “lembrar” pode ser usado com o sentido de “trazer à memória de alguém”?

Sim. Quando possui o sentido de “fazer recordar”, o verbo “lembrar” atua como Transitivo Direto e Indireto (VTDI). Nessa estrutura, ele exige um objeto direto (a coisa lembrada) e um objeto indireto (a pessoa que é lembrada, representada por pronomes como me, te, lhe, nos). Por exemplo: “Aquela atitude lembrou ao diretor os antigos valores da empresa” ou “Sua postura me lembra meu antigo sócio”.

A regra de regência do verbo “lembrar” também serve para o verbo “esquecer”?

Sim, a regra é rigorosamente a mesma para ambos os verbos. O verbo “esquecer” também exige preposição quando é pronominal (“esquecer-se de”) e rejeita a preposição quando é usado de forma simples (“esquecer algo”). Por exemplo: “Ele esqueceu o documento” ou “Ele se esqueceu do documento“.

Como funciona a regência na voz passiva pronominal?

Na voz passiva pronominal com a partícula “se”, o verbo concorda com o sujeito paciente e não exige preposição de posse. Por exemplo: “Lembraram-se fatos históricos importantes durante o debate”. Nesse caso, “fatos históricos” é o sujeito que sofre a ação de ser lembrado, fazendo com que o verbo seja flexionado no plural.

Domine as regras de regência através da prática de escrita

A memorização mecânica de regras gramaticais raramente sobrevive à pressão do tempo de prova em exames oficiais. A única maneira de internalizar a regência correta de verbos complexos e utilizá-los de forma natural em seus textos é inserindo essas estruturas ativamente na sua rotina de produção textual.

Escrever com consistência e revisar cada parágrafo com foco na microestrutura gramatical garante que os desvios pronominais desapareçam da sua folha de redação. Dedique-se ao treino prático de redação, explore diferentes estruturas sintáticas e garanta que o seu texto reflita a precisão e a elegância exigidas pelas bancas de avaliação mais rigorosas.