Regência do verbo esquecer: o segredo para não errar mais na redação
03/07/2026 05h56 – Atualizado há 3 horas

A regência do verbo esquecer (assim como a de seu par, lembrar) é um dos temas que mais causam desvios gramaticais em redações de vestibulares e concursos. A armadilha mora no uso do pronome oblíquo: a estrutura muda completamente se o verbo vier acompanhado de “se”. Na pressa da escrita, muitos estudantes misturam as duas formas e criam uma regência híbrida que custa pontos preciosos nos critérios de correção de bancas exigentes como o Enem e a Fuvest.
Para dominar a norma-padrão, a regra de ouro é simples: ou o verbo é pronominal e exige preposição, ou ele não é pronominal e dispensa preposição. Dominar essa simetria é essencial para garantir a nota máxima em competências ligadas à modalidade escrita formal.
A diferença prática: com pronome vs. sem pronome
A gramática normativa divide a regência desse verbo em duas construções bem definidas. O significado é exatamente o mesmo, mas a sintaxe exige atenção.
1. Verbo não pronominal (esquecer)
Quando usado sem pronome, o verbo é transitivo direto. Isso significa que quem esquece, esquece algo. O complemento se liga ao verbo sem nenhuma preposição.
- Exemplo: Eu esqueci o caderno em casa.
2. Verbo pronominal (esquecer-se)
Quando o verbo vier acompanhado de um pronome pessoal correspondente (me, te, se, nos, vos), ele se torna transitivo indireto. Nesse caso, quem se esquece, se esquece de algo. A preposição “de” torna-se obrigatória.
- Exemplo: Eu me esqueci do caderno em casa.
O erro mais comum cometido por candidatos em exames oficiais é o cruzamento dessas duas regências, gerando frases como “eu esqueci do caderno” (falta o pronome) ou “eu me esqueci o caderno” (sobra o pronome).
Guia rápido de acertos e erros na redação
Veja como aplicar a regência corretamente no seu texto e o que evitar para não perder pontos na competência gramatical.
Aplicação prática nas frases
| Estrutura Incorreta (Erro de Regência) | Estrutura Correta (Norma-Padrão) |
| O candidato esqueceu do documento. | O candidato esqueceu o documento. |
| Nós nos esquecemos o conteúdo da aula. | Nós nos esquecemos do conteúdo da aula. |
| A sociedade esquece de exercer seus direitos. | A sociedade esquece exercer seus direitos. |
| O governo se esqueceu os prazos da meta. | O governo se esqueceu dos prazos da meta. |
Perguntas frequentes sobre o uso do verbo esquecer
O uso de “esquecer de” (sem pronome) é aceito na redação de vestibulares?
Não, a estrutura “esquecer de” sem o pronome associado é considerada um desvio de regência verbal pelas principais bancas corretoras do país, pois contraria a norma culta tradicional. Prefira sempre “esquecer algo” ou “esquecer-se de algo”.
Como funciona a regência com pronomes relativos como “que”?
Quando antecedido pelo pronome relativo “que”, a regra do pronome atrativo permanece idêntica: se usar o verbo pronominal, a preposição deve vir antes do “que”. O correto é escrever “O documento de que me esqueci” ou “O documento que esqueci”.
A mesma regra se aplica ao verbo lembrar?
Sim, o verbo lembrar segue rigorosamente a mesma dinâmica de regência. Você escreve “lembrar algo” (Eu lembrei o nome dele) ou “lembrar-se de algo” (Eu me lembrei do nome dele).
Pratique para fixar o conteúdo
Entender a teoria é o primeiro passo, mas a fixação real da regência verbal só acontece quando você coloca a caneta no papel. Erros de paralelismo e regência costumam passar despercebidos na primeira leitura, por isso a revisão atenta é indispensável. Insira essas duas estruturas em suas produções semanais, alterne os usos para ganhar fluidez e adote o hábito de checar se o pronome e a preposição estão jogando no mesmo time. O treino constante é a única garantia de uma escrita impecável no dia da sua prova.